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Dezembro de 2013, mais uma incursão no Gerês.

Desta vez partindo do Xertelo em direcção à Nevosa (Xertelo-Castanheiro-Nevosa-Carris-Lamalonga-Laje dos Bois), na companhia de Olhares Sublimes

 

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Percurso pedestre

26 km

7 horas de caminhada efectiva

 

Subir à Nevosa com neve era um objectivo antigo.

Na ideia inicial a partida seria da portela do homem com subida pelo estradão dos Carris. No entanto, o camarada de luta não é de conversa mole, e preferiu faze-lo a partir do Xertelo mesmo com uma linha de tempo diminuta visto que anoitece muito cedo.

As primeiras horas de caminho foram realizados por estradão com chuva ligeira e vento moderado, seguindo depois pelo chamado trilho do castanheiro.

A partir dos 1100m a neve era já abundante, e é nestas alturas que representa maior perigo devido ao facto de ser pouco consistente encobrindo valas provocando verdadeiras armadilhas, para além dos pântanos que se formam com alturas de degelo.

Chegando ao Alto das Eiras a paisagem é inacreditável. Todos os maciços que se erguem à nossa frente pintados de branco.

Conseguimos visualizar a Fonte Fria, a Fraga de São João, os campos em Pitões cobertos de Neve. Infelizmente na Nevosa persistiam nuvens que teimavam em não se afastar.

Já no Curral das Negras tempo para mais uma contemplação. O muro da represa dos Carris lá no alto, inesquecível.

À nossa direita a via que nos iria levar ao cume. 2km de percurso com 300m de declive, uma quantidade de neve descomunal e uma abordagem totalmente nova para mim. Ao fim de uma hora e algum alpinismo lá chegamos.

Já no famoso marco de fronteira J117 que fica mesmo em frente ao Pico da Nevosa, e  com uma nuvem negra a pairar mesmo nas nossas cabeças, não nos sentíamos motivados a subir ao rochedo. No entanto num piscar de olhos, a nuvem afastou-se e conseguimos subir ao primeiro patamar. 

Tentamos subir mesmo ao cume, mas após algumas tentativas, com muito gelo e neve, teve que imperar o bom senso e resolvemos descer. 

O caminho para os Carris foi realizado rapidamente com a ajuda da neve nas descidas.

Já no complexo mineiro tempo para umas fotos daquele mágico lugar, comer algo e seguir viagem.

A descida pelas lavarias é facil, mas tem uma interrupção provocada por derrocadas nas escadas existentes já no final, o que representa perigo, e se cair mais algum degrau, ficará intransitável, pelo menos pelos moldes actuais.

A lamalonga e o seu enorme planalto coberto de branco também fica na memória. A descida para o Ribeiro do Penedo é rápida e realizamos a sua travessia mesmo ao cair a noite por volta das 17:20h. O restante percurso até ao Xertelo foi feito já de noite mas sem problema.

No entanto, a neve obriga a um esforço físico muito elevado. Fisicamente foi mais difícil esta caminhada do que a travessia Pitões-Xertelo de 35km.

 

Com uma distancia superior a 26km nesta altura do ano e com muita neve, realizar esta caminhada foi uma opção muito ponderada, feita com bom planeamento, material apropriado, previsões meteorológicas favoráveis e ambos em boa condição física.

Mesmo assim, sabemos que é arriscado. A abordagem pelo estradão dos Carris é mais sensata.

Andei sempre nos imites da minha condição física, mas usufruí das paisagens mais inesquecíveis que já vi.

 

 

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publicado às 23:13

Setembro de 2013, mais uma caminhada.

Uma travessia fantástica da Serra do Gerês e em excelente companhia.

 

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Percurso pedestre

35 km

9 horas de caminhada efectiva

 

O meu objectivo inicial era fazer a travessia em dois dias, mas por razões de força maior tive que a fazer num só.

Início em Pitões das Júnias pouco após as 7 da manhã rumo à Fonte Fria. 

Tivemos sorte com a meteorologia e o tempo estava fresco.

Este ano e após incêndios, existe muito menos mato, sobretudo junto à Fonte Fria o que facilitou muito. Na cumeada é só apontar à Nevosa lá ao Fundo. A progressão é rápida e tranquila ziguezagueando pelo muro de fronteira com vistas de muito longo alcance, e algumas aves de grande porte sempre a sobrevoar os céus em vigília.

Chegados à imponente subida para a Ourela dos Rubios, tempo para estudar alternativas rumo à cumeada. Não encontramos outra abordagem que não fosse a direito pela vegetação, mas como o mato está curto, tudo tranquilo. A 1/4 deste troço pareceu-nos ver um trilho vindo da esquerda que embora menos exigente, não justificará o longo desvio.

No decorrer do dia e à medida que íamos discutindo a topografia, reparei que ando enferrujado, toponimicamente falando :-) Seguir os tracks tirados do wikiloc num fundo branco dá nisto.

A abordagem à Nevosa è efectuada sem dificuldade. Se a formação rochosa em si é bonita, a paisagem no seu topo é extraordinária e onde conseguimos visualizar os principais pontos de interesse no coração da serra.

A descida pela face noroeste da Nevosa é a que considero mais rápida. Em pouco mais de 30 minutos chegamos aos Carris.

Descendo o Salto do Lobo procuramos água, mas esta escasseia. Rumamos em direcção à Ponte das Abrótegas onde pudemos constatar a devastação provocada pelos recentes incêndios.

Seguimos então viagem no sentido das Lagoas do Marinho. Neste troço destaca-se a monstruosa parede granítica no glaciar dos Coções do Concelinho a totalizar mais de 200m de declive, impressionante.

Continuando visualizamos o Borrageiro no cimo de uma enorme encosta. Há muito tempo que quero lá ir, no entanto, no contexto de grande esforço com uma caminhada superior a 30km na travessia, são 200m de declive para 1000 metros de extensão, já não é para o meu campeonato.

Chegamos então às lagoas do Marinho, fim de linha para os meus companheiros e paragem de abastecimento para mim. Tempo para uma breve despedida com um snack de frutos secos e siga, só faltou a Super Bock para empurrar.

A caminho do Xertelo fui pelo estradão. Ao contrário do que se possa pensar à primeira vista, neste caminho as paisagens são muito bonitas, temos a oportunidade de tirar os olhos do chão, olhar em frente e caminhar à vontade. Destacam-se as Lages dos Infernos lá no alto, as lagoas na Ribeira de Cabril que servem até para montar uma tenda, a Cascata de Vila Nova (embora seca no momento), e o trilho  intimista que percorre os últimos dois kms até ao Xertelo, com vista para a incrível Corga da Surreira do outro lado que perfaz mais de 500m de declive até ao Rio, e para Cabril a Sul.

 

Mais um dia épico. A magnífica travessia, a óptima companhia e o ultrapassar da barreira dos 30km em montanha são motivos de enorme satisfação pessoal.

 

Um abraço a todos os que partilharam estes momentos.

 

 

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publicado às 23:46


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